Fashion Revolution: uma semana para repensar sobre moda

Passarela de moda com modelos desfilando

Conversar sobre as mudanças do mercado da moda, que inclui tanto roupas quanto calçados, é essencial para comerciantes. Afinal, as transformações no jeito de consumir e as novidades do ramo são constantes e, portanto, requer atenção. 

Uma boa forma de se informar ainda mais sobre o assunto é acompanhar o Fashion Revolution, um movimento que acontece mundialmente com o objetivo de trazer reflexões sobre os impactos da indústria da moda e compra consciente

Se você ainda não conhece esse evento mas quer saber mais, continue a leitura deste artigo e descubra como fazer parte dessa transformação. 

O que é  Fashion Revolution?

Apesar de já termos dado uma breve introdução sobre o movimento Fashion Revolution, é importante saber que ele é bem amplo e abrange um enorme leque de assuntos relacionados com a indústria da moda global

Como o próprio movimento se caracteriza, ele existe por “uma indústria da moda limpa, segura, justa, transparente e responsável”. Isso significa que o Fashion Revolution atua com o propósito de repensar esse mercado para trazer resultados positivos, mas que respeitem questões socioambientais e as mãos que produzem cada peça.

Além de compreender a proposta do Fashion Revolution convém entender a história do movimento que, aliás, é um ponto fundamental para dar início às reflexões sobre a indústria da moda. 

No ano de 2013, em Bangladesh, um edifício destinado à indústria da confecção desabou e matou cerca de 1134 trabalhadores e deixou outros 2500 feridos. Essa situação sensibilizou muitos profissionais do ramo da moda, até nascer o Fashion Revolution.

Todos os anos, é realizada a Semana Fashion Revolution, que acontece na semana da tragédia de Bangladesh, em 24 de abril. Em diversos países do globo são realizados eventos, composto de palestras, workshops e outros, para homenagear as vítimas e construir uma reflexão sobre o mercado da moda. 

Quais os impactos da moda para o mundo?

Quando falamos sobre os impactos da moda, não significa que você deve largar esse ramo, e sim refletir sobre as consequências e quais os caminhos alternativos que você pode recorrer. É importante ressaltar que isso pode ser bem vantajoso e diferenciar a sua loja de calçados da concorrência, mas esse não deve ser o objetivo principal. 

Roupas jogadas em lixão
Com tantas toneladas de roupas e calçados em aterros e lixões, é essencial buscar pela moda sustentável.

Com tantas toneladas de roupas e calçados em aterros e lixões, é essencial buscar pela moda sustentável. 

De acordo com a ONU Meio Ambiente, por ano, os aterros e lixões recebem cerca de 500 bilhões de dólares em peças que são descartadas. Estima-se que essas roupas e acessórios foram utilizadas pouquíssimas vezes. 

Segundo o relatório A new textiles economy, a indústria da moda utiliza de forma drástica inúmeros recursos que não são renováveis, como o petróleo. O documento ainda informa que, metade das roupas produzidas pela indústria de fast fashion (cadeia de produção pautada em lançamento constante de coleções) acabam descartadas sem serem utilizadas muitas vezes. 

Esse sistema, que exige tanto do meio ambiente, além de esgotar os combustíveis fósseis, causa grandes impactos sociais e ambientais. Um exemplo assustador é pensar que apenas 1% dos materiais utilizados em roupas é reciclável. 

O mesmo relatório também traz uma estimativa de que, em 2050, serão utilizados na indústria da moda 300 milhões de toneladas de óleo (comparado com 98 milhões de toneladas em 2015) e 22 milhões de toneladas de microplásticos a mais chegarão aos oceanos entre 2015 e 2050.

Por falar em oceanos, outro dado alarmante é que 20% da poluição de água por indústrias é atribuída ao tingimento e tratamento de têxteis. 

Há ainda os impactos sociais: empresas que contratam trabalhos análogos à escravidão para manter a indústria, situações precárias de produção, pequenos produtores atingidos pela poluição da água e do solo, etc. 

Diante de números tão preocupantes, lojas de calçados devem começar a refletir sobre como podem construir um negócio mais sustentável, menos prejudicial e que gere valor não apenas para o proprietário, mas também para a comunidade ao seu redor. 

Como as lojas de calçados podem mudar e ajudar?

Se você já está preocupado e certo de que precisa agir, provavelmente está se perguntando por onde começar. Primeiro, é importante dizer que contribuir para essa transformação é um trabalho de formiguinha, ou seja, não vai acontecer de forma instantânea e também nem sempre irá causar reflexão a todos.

Entretanto, é possível, sim, semear novas ideias e abrir espaço para diálogos com os consumidores, especialmente os mais jovens, que já cresceram em uma sociedade mais flexível e preocupada com o meio ambiente. 

Em seguida, elaboramos algumas dicas de ações que você pode realizar para fazer parte do movimento Fashion Revolution

Incentive clientes a participar da campanha “Quem fez minhas roupas?”

A campanha “Quem fez minhas roupas?” faz parte das ações do Fashion Revolution e, geralmente, é lançada durante a semana do evento. 

Imagem para imprimir e fazer plaquinha “Quem fez minhas roupas?” (Imagem: Fashion Revolution Brasil)

Imagem para imprimir e fazer plaquinha “Quem fez minhas roupas?” (Imagem: Fashion Revolution Brasil)

Ela é bem simples e consiste em pessoas tirarem foto com a etiqueta de uma roupa, postarem nas redes sociais, marcar a empresa fabricante e usar a hashtag #quemfezminhasroupas?. 

O objetivo é receber resposta das marcas. Algumas, inclusive, fotografam os funcionários responsáveis pela produção. Uma forma de humanizar e dar visibilidade às mãos que tudo fabricam. 

Nas redes sociais da sua loja de calçados, você pode incentivar os seus seguidores a participar da campanha, falar sobre a importância dela e apresentar o Fashion Revolution

Republique materiais do evento

Uma opção para ajudar o movimento é divulgar os materiais produzidos por eles. No Instagram, por exemplo, o Fashion Revolution Brasil sempre faz excelentes posts com pequenas reflexões que podem ser repostados no perfil ou stories da sua loja. 

No Facebook, também dá para ter acesso a esses conteúdos, portanto, é possível compartilhá-los na sua página. 

Além disso, o Fashion Revolution produz alguns padrões de posts, stories, placas e conteúdos para pessoas fazerem download e divulgarem nas redes sociais. O único ponto negativo é que ainda há poucos desses materiais em português, a maioria estão na língua inglesa. 

Para facilitar a encontrar materiais, deixamos aqui uma pequena lista de links:

Utilize as redes sociais para trazer conteúdos e reflexões

Conteúdos relevantes são ótimos para fazer as pessoas pensarem. E, como cada vez mais o consumidor está presente nas redes sociais, esse é um ótimo espaço para tocar no assunto. 

No tópico anterior, na lista de links, deixamos uma cartilha completa feita pelo Fashion Revolution com ótimas dicas de como as pessoas podem se engajar mais com a causa. 

Essas dicas podem ser ótimas ideias de conteúdos que, além de educativos, geram proximidade entre os seus consumidores e destaque orgânico para o seu perfil. 

Outra dica é o uso de dados e pesquisas. Números são poderosos e podem gerar grandes impactos para os leitores. É claro que, para utilizá-los, você deve recorrer a fontes confiáveis, como jornais ou instituições. Nunca replique informações sem procedência ou duvidosas. 

Selecione com mais critério os calçados para venda

Como lojista, você tem o poder de selecionar o que vai entrar ou não dentro do seu comércio. Esse ponto é muito delicado, afinal, é sempre importante ter variedade de produtos para agradar a todos os tipos de consumidores. 

É possível ter um leque grande de calçados de forma responsável, basta você conhecer qual o processo de produção que está por trás de cada marca escolhida para integrar o seu estabelecimento. 

Antes de fechar um pedido, é importante pesquisar e conhecer mais sobre a indústria de calçados e o que as marcas têm feito. 

Por exemplo, a fabricante tem ações voltadas para o meio ambiente? Ela cria projetos pensados na população? Oferece boas condições de trabalho para os funcionários? Os produtos são veganos? Ela tem coleta de descarte dos calçados? Se a maioria das respostas for sim, essa é uma boa marca. 

Homem branco fazendo pesquisas em notebook
Antes de fechar um pedido, é importante pesquisar e conhecer mais sobre a indústria de calçados e o que as marcas têm feito.

Cada vez mais, o comportamento do consumidor está focado em se preocupar com o que compra e, portanto, essas qualidades podem ser realmente decisivas para o cliente. 

Um bom exemplo de marca para investir é a Terra e Água, 100% vegana.

Participe de eventos e acompanhe páginas

Além de levar conteúdos para os seus seguidores e ser mais seletivo na hora de fechar pedidos, a nossa última dica é que você participe e acompanhe eventos como o Fashion Revolution 2021.

Como já dissemos, todos os anos é realizada a Semana Fashion Revolution que, antes da pandemia, acontecia de forma presencial. Agora, o evento é virtual e gratuito, emitido em lives do Instagram ou por outras plataformas, como o Zoom. 

Para ficar por dentro desses bate-papos, você pode seguir o Fashion Revolution no Instagram por meio do @fash_rev_brasil ou pelo site.

No início, pensar em seguir algumas práticas indicadas pelo movimento pode parecer algo que restringe muito o negócio, mas a verdade é que elas são necessárias e podem ser um caminho para você diferenciar a sua loja de calçados e explorar um nicho ainda pouco ocupado dentro da sua cidade

É preciso manter-se constantemente atualizado, consumir novos conteúdos e ouvir pessoas que entendem da área, com o intuito de aprender e encontrar boas ideias que possam ser aplicadas no seu negócio. 

Para isso, convidamos você a começar por assinar a nossa newsletter e receber em sua caixa de entrada mais dicas e novidades. Para isso, preencha os campos abaixo!

Distribuidora Wilson131 Posts

A Distribuidora Wilson atua no ramo de atacado calçadista, levando aos clientes marcas renomadas como Ipanema, Havaianas, Moleca, Dakota e outras.

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